Um presente verdadeiramente pessoal para uma criança: parta do seu peluche
Uma cliente veio ter comigo com um problema que toda a gente conhece: procurava um presente para o filho de uma amiga e queria algo original. Nem o enésimo brinquedo que acaba numa arca, nem o cartão presente que diz educadamente que não houve ideia.
O verdadeiro obstáculo, quando se oferece ao filho de outra pessoa, é conhecê-lo pouco. Não se sabe o que já tem, do que se cansa, o que os pais têm repetido. Procurar um objeto original torna-se uma aposta.
Propus-lhe inverter o problema: em vez de procurar um objeto que não tem, partir daquele a que mais se apega.
Porquê o peluche
Um peluche não é um brinquedo entre outros. É muitas vezes o único objeto que a criança escolheu ela própria, ou que lhe foi dado cedo o suficiente para não se lembrar de antes. É único, mesmo tendo sido vendido aos milhares: é o dele, com o seu desgaste, o seu lugar na cama, por vezes o seu nome.
Reproduzi-lo em grande numa parede é oferecer algo que mais ninguém pode oferecer. E é também um presente que fala aos pais, que conhecem esse peluche de cor.
Basta uma simples fotografia
É a pergunta que me fazem sempre, por isso mais vale responder já: não preciso do peluche. Uma fotografia tirada com o telemóvel chega-me.
É importante, porque ninguém quer pedir a uns pais que se separem do peluche do filho durante duas semanas, e muito menos para preparar uma surpresa. Aqui, a cliente limitou-se a enviar-me uma imagem.
O que observo na fotografia
Nem todas as fotografias servem. O que me ajuda mesmo:
O peluche inteiro, de frente, sem que uma mão ou um lençol lhe tape uma parte.
Uma luz de dia, que não falseie as cores. Uma fotografia com luz fluorescente amarelece tudo.
Uma pose natural, aquela em que se reconhece. Um peluche esmagado numa cama lê-se mal.
Se a fotografia levantar problemas, digo-o antes de começar. Mais vale repeti-la do que descobrir a cor aproximada no fim.
O objetivo não é fazer uma raposa bonita. É fazer aquela, com as suas jardineiras, as mangas às riscas e o pequeno remendo cosido.
O pormenor faz tudo
Naquele peluche havia umas jardineiras, mangas às riscas, pés cor de ocre e um pequeno remendo cosido no peito. São esses pormenores que fazem com que uma criança reconheça o seu e não uma raposa em geral.
Desenho a partir da fotografia e depois pinto tudo à mão. Trabalho sozinha no ateliê e é essa etapa que leva mais tempo: encontrar o verde certo para as jardineiras, respeitar a espessura das riscas, não esquecer o remendo cosido.
O nome, em relevo
O nome é cortado separadamente e depois aplicado na peça, o que lhe dá uma verdadeira espessura e uma sombra própria. Lê-se de longe e transforma a decoração num objeto que pertence àquela criança em concreto.
A quem oferecer
Este tipo de peça funciona particularmente bem para:
Um nascimento ou um batizado, quando os pais já recebem muita roupa e muitos brinquedos.
Um aniversário de uma criança a quem já não se sabe o que oferecer.
Uma mudança de casa ou um quarto novo, onde há uma parede para vestir.
O presente de madrinha ou padrinho, que deve destacar-se sem ser ostensivo.
É também um objeto que sobrevive ao próprio peluche. Os peluches estragam-se, perdem-se, acabam no sótão. A peça em madeira fica na parede muito depois de a criança ter deixado de dormir com ele.
Como se faz
Envia-me uma fotografia do peluche e o nome pretendido, combinamos juntos o formato e o sítio previsto, e eu trato do resto. Mostro-lhe o desenho antes de cortar, para que não haja surpresas.
O princípio não se limita aos peluches: um animal de estimação, uma personagem desenhada pela própria criança, um objeto que conta. Se tem uma ideia em mente, escreva-me e conversamos.